PADRE ROBERTO LANDELL DE MOURA

(Patrono dos Radioamadores Brasileiros) 21.01.1861 - 30.07.1928


Autora: PP5ASN, Alda Niemeyer (abril/85) 

Na hist�ria das comunica��es humanas s�o conhecidas v�rias formas
 de transmiss�o de mensagens: sinais de fuma�a, gritos, tambores, sinais 
gr�ficos, imprensa,   etc.. isto, para n�o citar todo o mais que conhecemos.

	Com a eletricidade, no s�culo XIX veio uma mudan�a revolucion�ria. 
Samuel Nome patenteou nos Estados Unidos, em 1837, um aparelho: funcionava 
com eletro-magnetos e um c�digo de tra�os e pontos. J� um  ano depois, 
inaugurava-se entre Washington e Baltimore a primeira linha telegr�fica.  
A telegrafia havia se tornado uma realidade.

	Em 1876 Graham Bell patenteou o que ele designava de uma "telegrafia 
mais desenvolvida". Duas horas depois de Graham Bell haver entregue seus 
trabalhos  de patente, ingressou no Departamento de Patentes dos Estados 
Unidos o professor Elisha Gray, com descobertas similares.  Ap�s disputa 
judicial sobre a quest�o, foi atribu�da oficialmente a Graham Beli a 
inven��o da telefonia.

	A descoberta da indu��o, por Faraday (1831), fez surgir a id�ia de 
transmiss�o de sinais sem fios. A teoria sobre eletromagn�tica de Maxwell 
(1875), resultou no conhecimento de ondas eletr�nicas, que foram 
experimentalmente comprovadas por Hertz em 1888. Lord Kelvin, em 1853, 
demonstrou as caracter�sticas vibra�oes dos condensadores.

	Calsecchi-Onesti observou em 1885 que fragmentos de metais entre 
dois eletrodos, resultam em consider�vel resist�ncia. Mas foi Branley 
(1890) o pai da r�dio-indu��o.

	Lodge (1894) e Popoff (1895) e, depois destes, Marconi, aprimoraram 
os coesores e possibilitaram a evolu��o do aparelho Morse.

	Com um oscilador de Hertz, uma antena de Popoff e um coesor de 
Branley, Marconi obteve sucesso em 1895 (em Pontecchi, It�lia) ao enviar  
os primeiros sinais atrav�s de uma distancia maior.  A telegrafia sem fio 
j� era uma realidade dentro da comunica��o.

	Em fevereiro de 1896 Marconi foi � Inglaterra, onde, em junho do 
mesmo ano, patenteou seu aparelho, sob o n�mero 12.039. Em 1897 ele fundou 
uma Companhia Telegrafica e em 1898 eram enviados sinais entre a Inglaterra 
e a Fran�a, por sobre o Canal, a uma dist�ncia de 30 km.

	Esta pequena revis�o s� nos faz recordar o que ocorria na Europa e 
nos Estados Unidos no campo da eletricidade e comunica��o.

	No Brasil, isolado da possibilidade de interc�mbio de id�ias ou 
experi�ncias de cunho cient�fico, viveu e trabalhou o	Padre Roberto Landell 
de Moura, o qual em 1893-1894 comprovadamente transmitiu a voz humana, a 
m�sica e o soar de um rel�gio, a uma dist�ncia de 8 km, em S�o Paulo.

	Roberto Landeli de Moura nasceu aos 21 de janeiro de 1861 em Porto 
Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. Ele era o quarto dentre os quatorze 
filhos de In�cio Jos� Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura. 
Descendente de portugueses por parte do pai e de escoceses do lado materno. 
O av� materno era m�dico, formou-se em Edimburgo, Esc�cia, e imigrou para 
o Brasil em 1824 ( Foi deste av� que ele recebeu o nome "Robert" e, 
provavelmente, tamb�m o amor pelas ci�ncias.Roberto foi alfabetizado pelo 
pr�prio pai, depois freq�entou a Escola B�sica "Professor Hil�rio Ribeiro" 
e posteriormente o Col�gio "Professor Fernando Gomes". Com 11 anos 
ingressou no Semin�rio "Nossa Senhora da Concei��o", em S�o Leopoldo, onde 
concluiu sua forma��o human�stica.

      Todos os seus estudos dirigiram-se � profiss�o religiosa, pela qual 
sentia-se chamado. Com seu irm�o Guilherme foi ao Rio de Janeiro, e depois 
para Roma, onde ambos estudaram Direito Can�nico. Em 22 de mar�o de 1878 
Roberto ingressou no Col�gio Pan-Americano e freq�entava simultaneamente 
F�sica e Qu�mica na Universidade Gregoriana. Em Roma, no ano de 1886, foi 
ordenado, tornou-se Padre e rezou sua primeira missa.

	J� durante os primeiros anos de seus estudos , escreveu teorias sobre 
a "unidade das for�as f�sicas e a harmonia no universo".

	Ap�s conclu�da sua forma��o, em 1886, o Padre Landell (era como 
gostava de ser chamado) voltou pela Fran�a ao Brasil. Primeiramente 
permaneceu no Rio de Janeiro, no Semin�rio S�o Jos�.  O ent�o capel�o da 
corte brasileira, seu amigo,  adoeceu e pediu que o Padre Landell assumisse 
o cargo, junto a fam�lia do Imperador. Assim o Padre conheceu e tornou-se 
amigo pessoal de Dom Pedro II, travando uma intensa amizade que se 
fundamentava n�o s� na religiosidade de ambos mas tamb�m em seu ardente 
nteresse pela ci�ncia.

	Em 20 de fevereiro de 1887 o Padre Landell retornou a Porto Alegre, 
ao Convento do Carmo, rezando , ent�o, a primeira missa em sua cidade natal.
O Bispo Dom Sebasti�o Dias Laranjeiras o nomeou capel�o da Igreja do Bom 
Fim  incumbindo-o, tamb�m como professor de Hist�ria Geral no Semin�rio 
Episcopal.

	Em 25 de maio de 1891 tornou-se vig�rio em Uruguaiana, onde 
permaneceu por poucos meses, antes de retornar a S�o Paulo. Por nomea��o 
do Bispo D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho foi, sucessivamente, vig�rio 
em Santos, Campinas e Santana (na cidade de S�o Paulo).

Em Campinas atuou como p�roco na Igreja do Carmo, de 28 de outubro de 1894 
at� 19 de dezembro de 1896. A par de seus trabalhos pastorais o Padre 
Landell achava tempo para dedicar-se a seus estudos cient�ficos. E foi em 
Campinas que redigiu seus princ�pios e leis:
"1�- Tudo quanto at� aqui e no futuro, puder ser transmitido atrav�s de um 
fio condutor, poder� ser transmitido atrav�s de um feixe luminoso, e por 
este mesmo fato, poder� tamb�m ser transmitido sem o concurso deste feixe 
luminoso".
"2�- Todo movimento vibrat�rio tende a transmitir-se na raz�o direta da 
sua intensidade, const�ncia e uniformidade dos valores ondulat�rios; e na 
raz�o inversa dos obst�culos que se op�em  � sua marcha e produ��o."
"3�- Dai-me, pois, um movimento vibrat�rio que ocupe o lugar do fio 
condutor, e t�o extenso quanto � a dist�ncia que nos separa dessas outras 
terras que rolam sobre nossas cabe�as e debaixo de nossos p�s e eu farei 
chegar as minhas mensagens a essas regi�es long�nquas."

Se as duas primeiras teorias do Padre Landell j� eram bastante avan�adas 
para aquela �poca, mas foi certamente a terceira que encontrou uma total 
incompreens�o por parte da classe religiosa.

      Dessa �poca de trabalhos e pesquisas nos restaram informa��es de 
pessoas que conheceram o Padre Landell, como por exemplo um relato de 
Senhora Maria Ribeiro de Almeida, que em 1928 escreveu no jornal "A Uni�o", 
no Rio de Janeiro:
"Certo dia, no ano de 1893, vi um sacerdote humilde e taciturno que subia a 
escadaria da Igreja da Gl�ria, para ir conversar, na sacristia, com o 
virtuoso vig�rio que era Monsenhor Molina. Pessoas que j� sabiam a que 
viera Landell de Moura � capital da Rep�blica, rodeavam logo o c�lebre 
inventor. Cada um queria ter a honra de poder dizer um dia que o conhecera, 
que lhe apertara a m�o, que ouvira de seus pr�prios l�bios a narrativa 
maravilhosa das suas descobertas!..."
"Chamaram-me, tamb�m, para ouvir-lhe a palavra entusi�stica e cheia de 
esperan�as. Mas, ai, que a �guia ferida no seu v�o altivo, pendia a cabe�a 
em atitude de guerreiro vencido!"
"As pessoas reunidas em torno do Padre falavam baixinho, entre si, trocando 
id�ias... e eu ouvia, indignada, apesar de ser uma crian�a, estas palavras 
dolorosas, que nunca mais pude esquecer:
"Foi-lhe negada a subven��o para as experi�ncias do tel�grafo sem fio e de 
um outro aparelho, que apanhar� ondas sonoras, e far� ouvir qualquer voz de 
um continente a outro!...
"Nunca mais pude esquecer o Padre Landell de Moura."
Outro testemunho � o de Jaime Leal Velloso, publicado no "Jornal da Manh�", 
de Porto Alegre, de 16 de julho de 1953:
"Tenho residido 30 anos no Estado de S�o Paulo, dos quais 25 na capital, 
ouvi muitas vezes falar, ali, das experi�ncias realizadas por aquele 
ilustre sacerdote (Padre Landell), de transmiss�es de telegrafia e 
telefonia sem fio, do alto da Av. Paulista para o alto de Santana, numa 
dist�ncia aproximada de uns 8 quil�metros em linha reta, fatos esses 
ocorridos mais ou menos entre os anos de 1890 a 1894."

   Ernani Fornari, em livro  "0 incr�vel Padre Landell de Noura", diz que 
essas experi�ncias com transmiss�es sem fio foram realizadas com sucesso 
nos anos de 1883 e 1884, do que h� registros.  Do mesmo livro sabemos com 
detalhes sobre algumas rea��es do clero de Campinas sobre uma dessas 
demonstra��es do Padre Landell:
"... meia d�zia de fi�is desvairados, como um bando de energ�menos, havia 
invadido seu modesto mas precioso laborat�rio e destru�do todos os seus 
aparelhos, ferramentas e utens�lios."

      Todos esses dados confirmam claramente que o Padre Landell de Moura 
antecedeu a Marconi nas descobertas da radiocomunica��o. Pois � de 
conhecimento oficial que Marconi fez seus experimentos em Pontecchio, em 
1895, quando enviou, pela primeira vez, seus sinais de Morse sem a ajuda 
de fios.

	De qualquer modo o Padre sempre reconstruiu seus aparelhos, e 
prosseguiu trabalhando e desenvolvendo seus inventos cient�ficos. No 
"Jornal do Com�rcio", do Rio de Janeiro, de 10 de junho de 1900 l�-se a 
seguinte not�cia:
	"No domingo pr�ximo passado, no Alto de Sant'Ana, cidade de S�o 
Paulo, o Padre Roberto Landell fez urna experi�ncia particular com v�rios 
aparelhos de sua inven��o, no intuito de demonstrar algumas leis por ele 
descobertas no estudo da propaga��o do som, da luz e da eletricidade, 
atrav�s do espa�o, da terra e do elemento aquoso, as quais foram coroadas 
de brilhante �xito.  Estes aparelhos, eminentemente pr�ticos, s�o, como 
tantos coro1�rios, deduzidos das leis supra citadas. Assistiram a esta 
prova, entre outras pessoas, o Sr. P. C. P. Lupton, representante do 
Governo Brit�nico, e sua fam�lia."

	No dia 16 de junho de 1900 o "Jornal da Manh�" relata sobre uma 
carta do Padre Landell ao C�nsul brit�nico,  Mr. Lupton, na qual ele 
oferece ao governo. ingl�s as suas inven��es, por considerar-se a 
Inglaterra o pais mais desenvolvido da �poca. Nesta carta ele fala de 
cinco inventos. Diz-se, tamb�m   que nessa carta o inventor teria dito que 
caso o governo ingl�s n�o desejasse comprar suas descobertas, ele as 
cederia, tamb�m sem custos ao governo, ou, a alguma Universidade, Com a 
�nica condi��o de que o lucro delas decorrente fosse doado a algum 
orfanato ou institui��o de ensino.

	Em lugar algum, nem mesmo nos di�rios do Padre, encontra-se o 
registro de qualquer resposta por parte do governo ingl�s.

	Os cinco inventos da carta, s�o descritos pelo Padre da seguinte 
forma:
	"Teleauxiofono - e a �ltima  palavra, a meu ver, sobre telefonia sem 
fio, n�o s� pelo vigor e inteligibilidade com que transmite a palavra, mas 
tamb�m porque, com ele, se obt�m todos os efeitos do telefone "alto-
parlatore" e do "teatro-fone" , com esta not�vel diferen�a, que, tratando-
se de teatrofonia, � bastante um s� transmissor, por maior que seja o 
numero de concertantes."
	"0 caleofono - como o precedente, trabalha tamb�m com fio, e � 
original porque, em vez de tocar a campainha para chamar, faz ouvir o som 
articulado ou instrumental. ~ muito apropriado para escrit�rios".
	"A anematofono - com o qual, sem fio, obt�m-se todos os efeitos da 
telefonia comum, por�m com multo mais nitidez e seguran�a, visto funcionar 
ainda mesmo com vento e mau tempo. � admir�vel este aparelho, pelas leis 
inteiramente novas que revela."
	"0 teletiton - sorte de telegrafia fon�tica com o qual, sem fio, 
duas pessoas podem-se comunicar, sem que sejam ouvidas por outra. Creio 
que com este meu sistema poder-se-� transmitir, a grandes dist�ncias e 
com muita economia, a energia el�trica, sem que seja preciso usar-se de 
fio ou cabo condutor. Disse "com este meu sistema" porque n�o fa�o uso de 
nenhum dos aparelhos ou das pe�as at� hoje imaginadas para este fim, como 
bem para a cabal resolu��o do magno problema da telegrafia sem fio"
      "0 edifono - finalmente, serve para dulcificar e depurar das vibra��es 
parasitas a voz fonografada, reproduzindo-a ao natural. Este aparelho 
tornar-se-� o amigo insepar�vel dos m�sicos compositores e oradores"
Esta � a re1a��o dos cinco aparelhos que o Padre Landell ofereceu  � 
Inglaterra sem sucesso. O texto dessa carta est� conservado na �ntegra e 
foi divulgado pela imprensa.

      Ap�s longos e cansativos anos o Padre pode, finalmente, patentear 
seus inventos no Brasil, aos 9 de mar�o de 1901. Trata-se de um "aparelho 
para transmiss�o verbal com ou  sem fio, atrav�s do espa�o, da terra ou 
da �gua, com sol ou chuva, fortes nevoeiros ou ate' ventos."

     Se fizermos uma r�pida retrospectiva quanto �s datas, chegamos �s 
seguintes conclus�es: 
Em 1893 foram negados ao Padre Landell todos os tipos de apoio �s suas 
inven��es. Provas e testemunhas d�o conta de que as experi�ncias se deram 
entre 1890 e 1894.
Se estes dados deixarem d�vidas, pode-se atribuir a Marconi os direitos de 
ser o inventor da telegrafia sem fio, pois este enviou seus primeiros 
sinais em 1895.
Em seguida, contudo, cabem ao Padre Landell os direitos de ser precursor 
da telefonia sem fio, pois suas experi�ncias foram comprovadas e 
documentadas at� junho de 1900, embora ele s� tenha obtido  sua carta-
patente em mar�o de 1901.

    Experi�ncias com r�dio-difus�o foram feitas simultaneamente em outras 
partes do mundo. O "New York Rerald" divulgava tentativas similares na 
Inglaterra em 1902 e das tentativas do professor Ernest Ruhmer na lago 
Wannsee, na Alemanha.

    O f�sico canadense Reginald Fessenden disse em uma entrevista:"a 
primeira transmiss�o verbal foi feita em dezembro de 1900 e , 
gradativamente melhorada at� 1904, quando j� foi poss�vel transmitir a 
uma dist�ncia de 25 milhas.

Voltemos ao Padre Landell. Incompreendido, decepcionado e sem quaisquer 
perspectivas de aux�lio material, mas convicto da corre��o e do valor de 
seus inventos, resolveu patente�-los nos Estados Unidos, onde ent�o viveu 
por tr�s anos.

    No distrito de Manhattan, em Nova York, instalou um pequeno laborat�rio 
e j� no dia 4 de outubro de 1901 , no escrit�rio de patentes de Washington, 
deu entrada de seu primeiro registro, sob o protocolo de n�  77.576 e aos 
16 de janeiro de 1902 registrou seu segundo invento, sob o n�mero 89.976 
e no dia 13 de fevereiro de 1903, encontramos, sob a patente de n�mero 
142.440, seu terceiro registro.

Diga-se, ainda, que para ingressar com as patentes, n�o era suficiente 
fornecer os textos e desenhos, mas tamb�m os respectivos aparelhos.
O "New York Ilerald"  trouxe no dia 12 de outubro de 1902 uma extensa 
reportagem sobre as tentativas dentro da r�dio-telefonia, na qual relata-
se que o professor Ernest Ruhmer teria enviado uma mensagem atrav�s de um 
telefone sem fio a muitas milhas de dist�ncia. E o jornal compara: ... 
o que � Marconi para a telegrafia sem fio, o � professor Ruhmer no campo 
da telefonia sem fio. O "Herald" explica que Rubmer fez uso da luz como 
condutor para o som, com a ajuda de sel�nio. A desvantagem neste tipo de 
procedimento � a distancia limitada.

O artigo prossegue: "... e dentre todos esses cientistas o brasileiro 
Padre Roberto Landell de Moura � o mais desconhecido. Uma minoria sabe 
que ele � o pioneiro neste campo. Brighton, na Inglaterra, e Ruhmer, na 
Alemanha, s� chegaram recentemente a esses resultados. Muito antes destes 
dois, Landell j� havia tido sucesso com suas experi�ncias. Sua patente 
brasileira levou o nome de "Gouradphone".

O jornalista norte-americano que redigiu esta mat�ria tamb�m deu seu 
depoimento pessoal sobre a impress�o que lhe causou o Padre Landell.

" Eu falei com um cavalheiro de aproximadamente 40 anos, alto e magro, de 
urna intelig�ncia viva e admir�vel entusiasmo. Ele era capaz de se 
expressar em ingl�s absolutamente fluente sobre seus inventos e 
experi�ncias que tem feito em todos esses anos. Contudo, seu primeiro 
pensamento volta-se sempre em primeiro lugar � religi�o e em segundo, � 
ci�ncia.

	Landell certamente defendeu nesta entrevista a atitude que assumia 
quando a1gu�m lhe recomendava que abandonasse a batina:
	"Quero mostrar ao mundo que a Igreja Cat�lica n�o � inimiga da 
ci�ncia e do progresso humano. Indiv�duos, na Igreja, podem, neste ou 
naquele caso, haver-se oposto a esta verdade; mas fizeram-no por cegueira. 
A verdadeira f� cat�lica n�o a nega. Embora tenham me acusado de Ter parte 
com o diabo e interrompido meus estudos pela destrui��o dos meus aparelhos, 
hei de afirmar sempre : isto � assim, e n�o pode ser de outro modo ... - 
E com amargura; - s� agora compreendo Galileu exclamando: E PUR SI MUOVE 1"
As cartas-patente e artigos de jornal est�o todos conservados e podem ser 
consultados. Alguns r�dio-amadores brasileiros estiveram nos Estados 
Unidos conferindo todos estes documentos.

Desde que, nos �ltimos anos, tem crescido o interesse em torno da 
personalidade e da vida do Padre Landell, de sua religiosidade e seus 
trabalhos cient�ficos, come�ou-se a perseguir todas as fontes de informa��o 
poss�veis. Nas igrejas onde atuou foi-se conversar com  coroinhas e fi�is 
que ainda se recordam bem do Padre. Com seus irm�os encontraram-se seus 
di�rios e manuscritos. Suas pr�dicas e serm�es merecem ser lidos . Sua f� 
em Maria transparece em todos os seus escritos e um amor especial era 
dedicado ~ Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Sua vis�o sobre 
a mulher e sua posi��o dentro da fam�lia e da sociedade � t�o abrangente e 
contempor�nea que poderia ter sido escrita para os dias atuais.

Muitos de seus manuscritos e desenhos, em cadernos escolares, ficaram 
engavetados e desconhecidos at� 1976, quando um de seus sobrinhos, 
Guilherme Landell de Moura, em Porto Alegre, colocou todos estes documentos 
� disposi��o. Dentre outros documentos est�o cartas de seu amigo Daniel 
Tamagno, em New York, rascunhos de cartas do Padre, consultas a seus 
advogados americanos acerca de suas patentes naquele pa�s, recortes de 
jornais, presta��es de contas e pouco mais de 20 desenhos que ele fez de 
suas inven��es.

	Muitos desenhos est�o desacompanhados de uma explica��o mais clara. 
O diretor da TELEBRAS, engenheiro Eduardo Diniz Schlaepfer, que se 
interessava por todos esses subsidios, prontificou-se a examin�-los e 
convocou uma comiss�o dentro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da 
Te1ebr�s de Campinas a efetuar as pesquisas.  Sete engenheiros trabalharam 
no projeto, que n�o foi tarefa muito f�cil pois muitas folhas continham 
apenas esbo�os, alguns desenhos n�o continham qualquer texto, outros 
estavam incompletos, outros rasgados, manchados ou ileg�veis. Contudo, 
dadas as possibilidades, o material foi todo analisado.

	Numa s�rie desses desenhos, ap�s minuciosos c�lculos, conclui-se que 
se tratava de um aparelho precursor do "controle remoto por r�dio". Bem 
mais tarde, durante a segunda guerra mundial, � que foi difundida a 
tecnologia do controle � distancia, depois que a marinha alem� a 
desenvolveu para aplica��o em submarinos.

	O telex foi inventado em 1928, pelo americano Norkum Kleinschmidt. 
Mesmo admitindo-se que Landell jamais tenha constru�do aparelho semelhante, 
conclui-se, contudo, a partir de seus desenhos, que tamb�m nesta �rea ele 
tinha projetos futuristas. De certo modo, o nome de Landell tamb�m pode 
ser ligado ao telex.

     Outro grupo de desenhos muito minuciosos, despertou desde logo o  
interesse dos engenheiros . Eles datam de 1904, portanto a �poca em que o 
Padre esteve nos Estados Unidos O titulo rezava "telephotorama" ou "ver 
atrav�s da distancia". Ap�s estudos aprofundados deste material e 
totalmente re-calculado, o mesmo recebeu o seguinte parecer:
"De um conjunto de quatro desenhos em forma de rascunho, que cont�m algumas
anota��es, podemos concluir que o Padre Landell estava caminhando para um 
processo de transmiss�o e recep��o de imagem, ou seja, a televis�o. Nota-se 
que nesses desenhos, de um para outro s�o acrescentados detalhes que tornam 
mais plaus�vel o funcionamento do sistema. � poss�vel que corre��es tenham 
sido feitas e estes documentos extraviados.  Como n�o podemos comprovar 
esta hip�tese, ficamos impossibilitados de afirmar categoricamente que o 
Padre Landell foi o inventor de um sistema de televis�o que realmente 
funcionasse. Mas, podemos comprovar, sem d�vida, que , pelo menos, seu  
trabalho � precursor da referida inven��o, pois alguns dos problemas da 
videocomunica��o j� tinham sido resolvidos por ele, conforme atestam os 
poucos documentos preservados at� nossos dias.

    Nas enciclop�dias lemos que o alem�o Gottlieb Nipkow, em 1884, 
descobriu um dispositivo que possibilitava a transmiss�o de imagens a 
curta dist�ncia.  Foi o americano Philo T. Farnsworth que aprimorou este 
sistema em 1922. Em  1923 o russo, naturalizado americano, Viadimir K. 
Zworykin descobriu o "iconosc�pio" e o "cinesc�pio", o iconosc�pio o 
primeiro sistema de v�lvulas para o transmissor e o cinesc�pio, o receptor. 
O escoc�s John Lodgie Baird fez a primeiro demonstra��o de televis�o em 
1926. Em 1929 Zworykin  apresentou o primeiro sistema completo de televis�o.
Numa edi��o do di�rio "Ultima hora", de Porto Alegre, aos 13 de novembro de 
1924, Landell falou de sua id�ia e da possibilidade de transmiss�o de 
imagem a longa dist�ncia.

No ano de 1939 o casal de cientistas Semyon e Valentina Kirlian descobriu 
uni processo fotogr�fico capaz de reproduzir "fotograficamente o campo de 
irrad�a��o" . Atrav�s deste processo descobriu-se que todos os corpos, 
m�veis e im�veis, est�o envolvidos por uma aura colorida, n�o vis�vel a 
olho nu. Os Kirlians sabiam, desde o inicio, que se trata de uma energia 
em estreita rela��o com a pr�pria vida. Este � o efeito Kirlian.

     Dentre os escritos do Padre Landell do ano de 1907 h� alguns sob o 
titulo "O Perianto ". Logo nos primeiros trechos 1�-se:
	" Todo o corpo humano est� como que envolvido de um elemento de forma 
vaporosa, mais ou menos densa, segundo a natureza ou o estado do indiv�duo 
ou ambiente em que ele se acha. Esse elemento, quando adquire uma tens�o 
capaz de vencer os obst�culos  que se op�em � sua expans�o, escoa do corpo 
humano sob forma de descargas disruptivas ou silenciosas, tal qual como se 
sucede com a eletricidade."

	Seguem, ainda, oito par�grafos com explana��es detalhadas sobre o 
"perianto" Do ultimo, vale ressaltar: 
".. Do que acabamos de dizer, podemos tirar os seguintes(corol�rios: 
- que o perianto, em circunst�ncias apropriadas, pode ser fotografado e 
justificando seu nome, isto e, coisa que envolve o corpo humano sob uma 
capa ou zona vaporosa, mais ou menos densa; - e que ele pode ser 
transportado da placa natural da retina para a de uma c�mara fotogr�fica."

    Landell n�o ficou apenas nessa teoria. Ele chegou a fotografar este 
efeito de luz. Seu sobrinho In�cio Landell de Moura disse que ap�s a morte 
de seu tio encontrou uma caixa cheia de chapas fotogr�ficas. Mandou ampliar 
as fotos e viu "coisas misteriosas" que ningu�m sabia explicar.  Inocente, 
entregou-as a um padre que imediatamente as recolheu e nunca mais devolveu,
alegando que aquele material poderia comprometer a Igreja e talvez essas 
fotografias ainda estejam arquivadas em alguma igreja, em algum lugar.  

   Mais tarde, In�cio continuou tentando recuperar esse material, sem 
obter sucesso. N�o seria o "efeito-Kirlian" que estaria registrado 
naquelas fotografias?

	Para encerrar esta pequena cr�nica sobre o religioso e o cientista 
Padre Landell de Moura, lembremo-nos de algumas palavras que ele pr�prio 
pronunciou e escreveu:
	"Os americanos, decorridos os 17 anos de prazo que marca a lei das 
patentes, puseram em execu��o pr�tica as minhas teorias. N�o sou menos 
feliz por isso. Eu vi sempre, nas minhas descobertas, uma d�diva de Deus. 
E como, al�m disso, sempre trabalhei para o bem da humanidade, tentando ao 
mesmo tempo provar que a religi�o n�o � incompat�vel com a ci�ncia, folgo 
em ver realizado, na pr�tica utilit�ria, aquilo que foi o meu sonho de 
muitos dias, de muitos meses, de muitos anos. Deus fez uso da minha 
modesta pessoa para ajudar a esclarecer um pouco alguns mist�rios da 
natureza."

    No ano de 1927 Landell tornou-se Monsenhor e arcediago da Capela da 
Benefic�ncia, em Porto Alegre.

    O Padre faleceu em Porto Alegre, aos 30 de julho de 1928, amparado, 
em �ltimo recurso, por seu irm�o Dr. Jo�o Landell de Moura.

Nota:	Todos  os dados ~ deste relat�rio, fatos hist�ricos, datas e 
cita��es , bem como os n�meros das patentes foram extra�dos dos seguintes 
livros:

1) Ernani Fornari - O incr�vel Padre Landell de Moura, Editora Globo, 1960
2) Fernando Cauduro - "O homem que apertou o bot�o da comunica��o"
Editora FEPLAM - Porto Alegre  1977
3) Armaldo Nascimento
Murilio Sousa Reis- "Subs�dios para saldar uma d�vida"
editado em Portugal  - 1982
4) B.Hamilton Almeida- "Ou outro lado da comunica��o" 
A saga do Padre Landeli
Editora Sulina, Porto Alegre -1983